O que esperar da Fisioterapia em Saúde Pélvica?
No início do milénio quando comecei a intervir na área da saúde da mulher e do pavimento pélvico esta era uma zona pouco conhecida da Fisioterapia e da saúde no geral. Falava-se muito pouco dela. Existiam poucos fisioterapeutas com diferenciação e a intervir na área, os restantes não a conheciam bem e os outros profissionais de saúde também não. O encaminhamento para a Fisioterapia era residual e era impensável receber uma mulher sem queixas só para avaliar a função do seu pavimento pélvico com um objetivo meramente preventivo. Hoje os fisioterapeutas conhecem bem esta área de intervenção e existem cada vez mais fisioterapeutas com interesse a iniciar processos de formação pós-graduada na área. Os outros profissionais de saúde valorizam e solicitam a intervenção da Fisioterapia e integram-na nas abordagens por equipa multidisciplinar. E para além de tudo isto, a comunidade está muito mais informada do que no passado e é muito frequente existir uma procura da Fisioterapia em Saúde Pélvica por parte do utente. É frequente a mulher procurar no pré-gravidez, na gravidez, logo após o parto ou na entrada na menopausa, muitas vezes sem queixas. O foco é prevenir possíveis alterações mais frequentes nestas fases da vida da mulher. É muito frequente uma mulher com incontinência urinária procurar alternativas à cirurgia, muitas vezes proposta como intervenção de primeira linha antes das abordagens conservadoras, essas sim, indicadas como primeira linha de intervenção por numerosas guidelines internacionais. É frequente um homem com um diagnóstico de prostatite crónica perceber que a sua dor poderá estar associada a alterações dos músculos do pavimento pélvico e procurar ajuda nesse sentido. É frequente uma mulher que sente dor à penetração não aceitar como resposta, “tem que relaxar”, “isso é tudo da sua cabeça” e “está tudo bem”, e chegar à fisioterapia com a consciência que precisa de apreender a relaxar os músculos do pavimento pélvico e que isso não é fácil ou possível com uma mera instrução verbal.
Resumindo a oferta aumentou muito e a procura por parte das pessoas também. Contudo, como em todas as áreas de intervenção da fisioterapia importa perceber o que procuro e o que me oferecem.

O que esperar então da Fisioterapia em Saúde Pélvica? Ora a resposta a esta pergunta vai depender de inúmeros fatores. Mas creio que acima de tudo vai depender de uma pergunta que tem que fazer a si próprio? O que quer da Fisioterapia em Saúde Pélvica? Porque aquilo que quer, procura e as suas expectativas são elementos fundamentais para podermos traçar este caminho em conjunto. A minha abordagem não privilegia técnicas passivas, pouco suportadas pela evidência, não o vou “tratar”. Vou, em conjunto consigo encontrar as estratégias necessárias à melhoria da sua condição. Escolhendo as estratégias adequadas à sua situação em particular, porque cada caso é um caso e #onesizedoesnotfitall. Digo muitas vezes, meio a brincar meio a sério, que aquilo que depende de mim são só 20% da intervenção necessária à mudança. Nas suas mãos estão os outros 80%. É preciso que queira conscientemente mudar. O meu papel é ajudar nessa mudança. Ajudar a encontrar as formas de fazer esse caminho e de dar apoio no processo. Os meus 20% são muito importantes para atingirmos os objetivos. Mas sem os seus 80%… não valem nada. Precisa de alterar, ajustar, modificar aquilo que, em conjunto, identificarmos como possíveis razões para a disfunção. Sente que quer mudar comportamentos e melhorar a sua qualidade de vida? Estou aqui para o ajudar e em conjunto chegarmos a bom porto.
